Preço de venda com Simples Nacional e taxa de cartão

24 de outubro de 2026 · 6 min de leitura

O imposto do Simples Nacional e a taxa de cartão entram no preço como percentuais do preço de venda, junto com as outras despesas variáveis. Você soma esses percentuais aos custos fixos e ao lucro desejado e usa o markup: preço = custo × 100 ÷ (100 − tudo isso). Aplicar o imposto sobre o custo da peça deixa o preço baixo e o lucro menor do que o planejado.

Despesas variáveis % = Simples % + Cartão % + Comissão % + Embalagem e frete %
Custos fixos % = Custos fixos do mês ÷ Faturamento previsto
Markup = 100 ÷ (100 − Despesas variáveis % − Custos fixos % − Lucro desejado %)
Preço = Custo × Markup

No Simples Nacional, o comércio fica no Anexo I. A alíquota começa em 4% na primeira faixa e a alíquota efetiva cresce conforme o faturamento da empresa. Por isso o número certo para colocar no preço é a alíquota efetiva que você paga hoje. Peça esse número ao seu contador e revise quando a loja mudar de faixa.

A taxa de cartão varia por adquirente, plano, bandeira e número de parcelas. Débito, crédito à vista e parcelado costumam ter taxas diferentes. No Pix, depende de como a sua loja recebe.

Exemplo: uma peça, três formas de pagamento

Números fictícios. A peça custa R$ 80. A loja tem R$ 22.000 de custos fixos e prevê faturar R$ 100.000, ou seja, custos fixos de 22%. Quer 10% de lucro. Alíquota efetiva de 6% e embalagem de 2%. As taxas de cartão abaixo são valores de exemplo:

Forma de pagamentoPreço necessário
Pix, sem taxa: variáveis 8%, markup 100 ÷ 60 = 1,67R$ 133,33
Crédito à vista, taxa de 3%: variáveis 11%, markup 100 ÷ 57 = 1,75R$ 140,35
Parcelado, taxa de 6%: variáveis 14%, markup 100 ÷ 54 = 1,85R$ 148,15

Suponha que a loja etiquete a peça a R$ 140,35, pensando no crédito à vista. Vendida assim, ela paga R$ 80 de custo, R$ 15,44 de despesas variáveis, R$ 30,88 de custos fixos e deixa R$ 14,03 de lucro, os 10% planejados. Vendida no parcelado, as despesas variáveis sobem para R$ 19,65 e o lucro cai para R$ 9,82, ou 7% do preço.

Regra prática: calcule o preço com a taxa média de cartão das suas vendas, ponderada pelo quanto você vende em Pix, débito, crédito e parcelado. Se quase tudo sai parcelado, use a taxa do parcelado.

Erros comuns

Quando o imposto muda

Na mesma loja do exemplo, imagine que a alíquota efetiva passe de 6% para 8%. No crédito à vista, as despesas variáveis vão para 13% e o markup para 100 ÷ 55. O preço necessário sobe de R$ 140,35 para R$ 145,45. Se a etiqueta continuar em R$ 140,35, o lucro cai de R$ 14,03 para R$ 11,23, ou 8% do preço.

Cada ponto a mais de imposto ou de cartão sai direto do lucro, porque os custos fixos continuam os mesmos. A margem de contribuição cai na mesma medida e o ponto de equilíbrio sobe.

Perguntas frequentes

Qual alíquota do Simples Nacional usar no preço?

Use a alíquota efetiva, que é o percentual que você realmente paga sobre o faturamento. No comércio (Anexo I), ela começa em 4% na primeira faixa e cresce conforme o faturamento da empresa. Confirme a sua com o seu contador.

Devo cobrar mais caro no cartão parcelado?

Você precisa pelo menos saber quanto perde. No exemplo, a peça de R$ 140,35 deixa R$ 14,03 de lucro no crédito à vista e R$ 9,82 no parcelado. Se o parcelado é a maior parte das vendas, calcule o preço com a taxa dele.

O imposto entra sobre o custo ou sobre o preço?

Sobre o preço. O Simples Nacional e a taxa de cartão são cobrados sobre o valor da venda. Por isso o markup divide o custo pelo que sobra do preço: Preço = Custo × 100 ÷ (100 − despesas variáveis % − custos fixos % − lucro %).

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